Divaldo Pereira Franco
"Espíritas.
Amai-vos este o primeiro mandamento, instrui-vos este o segundo"
(Espírito da Verdade - Paris 1860)
O
médico carioca residente em Porto Alegre, doutor José
Lacerda, desde os anos 50, espírita que era então,
começou a realizar numa pequena sala do Hospital Espírita
de Porto Alegre chamada “A Casa do Jardim”, atividades
mediúnicas normais. Com o tempo ele recebeu instruções
dos espíritos e realizou investigações pessoais
que desaguaram em um movimento ao qual ele deu o nome de Apometria.
Não irei entrar no mérito nem no estudo da apometria
porque eu não sou apometra, eu sou espírita o que
posso dizer é que a apometria, segundo os apometras, não
é espiritismo. Porquanto as suas práticas estão
em total desacordo com as recomendações de O Livro
dos Médiuns.
Não
examinaremos aqui o mérito ou demérito porque eu não
pratico a apometria, mas segundo os livros que tem sido publicados,
a apometria, segundo a presunção de alguns, é
um passo avançado do movimento Espírita no qual Allan
Kardec estaria ultrapassado. Allan Kardec foi a proposta para o
século XIX e para parte do século XX e a apometria
é o degrau mais evoluído no qual Allan Kardec encontra-se
totalmente ultrapassado. Tese com a qual, na condição
de espírita, eu não concordo em absoluto.
Na
prática e nos métodos de libertação
dos obsessores a violência que ditos métodos apresenta,
a mim, a mim pessoalmente, me parecem tão chocantes que fazem
recordar-me da lei de Talião, que Moisés suavizou
com o código legal e que Jesus sublimou através do
amor. Quando as entidades são rebeldes os doutrinadores,
depois de realizarem uma contagem cabalística ou de terem
o gestual muito específico, expulsam pela violência
esse espírito para o magma da Terra, a substância ainda
em ebulição do nosso planeta. O colocam em cápsulas
espaciais e disparam para o mundo da erraticidade.
Não
iremos examinar a questão esdrúxula desse comportamento,
mas se eu, na condição de espírito imperfeito
que sou, chegasse desesperado num lugar pedindo misericórdia
e apoio na minha loucura, e outrem, o meu próximo, me exilasse
para o magma da Terra, para eu experimentar a dureza de um inferno
mitológico ou ser desintegrado, eu renegaria àquele
Deus que inspirou esse adversário da compaixão. Ou
se me mandasse numa cápsula espacial para que fosse expulso
da Terra. Com qual autoridade?
Quando Jesus disse que o seu reino é dos miseráveis,
na parábola do Festim de Bodas, ele manda buscar os mendigos,
aqueles que estão nos lugares escabrosos já que os
eleitos recusaram e mataram os seus embaixadores. A Doutrina Espírita
centraliza-se no amor e todas essas práticas novas, das mentalizações,
das correntes mento-magnéticas, psico-telérgicas para
nós espíritas merecem todo respeito, mas não
tem nada a ver com espiritismo.
Seria
o mesmo que realizarmos a prática da Terapia de Existências
Passadas nós dentro da casa espírita ou, ainda, da
cromoterapia ou da cristalterapia, fugindo totalmente da nossa finalidade.
A Casa Espírita não é uma clínica alternativa,
não é lugar onde toda experiência nova vai colocada
em execução. Tenho certeza de que aqueles que adotam
esses métodos novos, primeiro, não conhecem as bases
Kardequianas e ao conhecerem-nas nunca vivenciaram para terem certeza,
seria desmentir todo material revelado pelo mundo espiritual nestes
144 anos de codificação, no Brasil e no mundo, pela
mediunidade incomparável de Chico Xavier.
As
informações que vieram por esse médium ímpar,
pela notável Yvone do Amaral Pereira, por Zilda Gama, por
tantos médiuns nobres conhecidos e nobres desconhecidos no
seu trabalho de socorro. Então se alguém prefere a
apometria, divorcie-se do Espiritismo. É um direito! Mas
não misture para não confundir. A nossa tarefa é
de iluminar, não é de eliminar. O espírito
mau, perverso, cruel é nosso irmão na ignorância.
Poderia haver alguém mais cruel do que o jovem Saulo de Tarso?
Ele havia assassinado Estevão a pedradas, havia assassinado
outros, e foi a Damasco para assassinar Ananias.
Jesus
não o colocou numa cápsula espacial e disparou para
o infinito. Apareceu a ele! Conquistou-o pelo amor: "Saulo,
Saulo, por que me persegues?" Pode haver maior ternura nisso?
E ele tomado de espanto perguntou: "Que é isto?"
"-Eu sou Jesus, aquele a quem persegues". E ele então
caiu em sí. Emmanuel usa esta frase: E caindo em si, quer
dizer aquela capa do ego cedeu lugar ao encontro com o ser profundo,
caindo em si, ele despertou. E graças a ele nós conhecemos
Jesus pela sua palavra, pelas suas lutas, pelo alto preço
que pagou, apedrejado várias vezes até ser considerado
morto, jogado por detrás dos muros nos lugares do lixo, dos
dejetos ele foi resgatado pelos amigos e continuou pregando.
Então
os espíritos perversos merecem nossa compaixão e não
nosso repúdio. Coloquemo-nos no lugar deles. Que sejas como
conosco quando nós éramos maus e ainda somos aqui
com nós. Basta que alguém nos pise no calcanhar ou
nos tome aquilo que supomos que é nosso, para ver como irrompe
a nossa tendência violenta e nós nos transformamos
de um para outro momento. Não temos nada contra a Apometria,
as correntes mento-magnéticas, aquelas outras de nomes muito
esdrúxulos e pseudo-científicos. Não temos
nada. Mas como espíritas, nós deveremos cuidar da
proposta Espírita. E da minha condição de Espírita
exercendo a mediunidade há mais de 54 anos, os resultados
têm sido todos colhidos da árvore do amor e da caridade.
Não
entrarei no mérito dos métodos, que são bastante
chocantes para a nossa mentalidade espírita, que não
admite ritual, gestual, gritaria, nem determinados comportamentos,
porque a única força é aquela que vem de dentro.
Para esta classe de espíritos são necessários
jejum e oração.