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O papel do trabalhador espírita diante da “invasão organizada”

 

Aurélio Prado Peixoto
Jornalista
Coordenador do DECOM - FEETINS

Muitos colegas têm me perguntado a respeito das “aparições” de espíritos em novelas, filmes, seriados e programas de televisão. Nos últimos anos, o assunto “espíritos” ou “sobrenatural” vem ganhando espaço na mídia, ocupando as primeiras páginas e se tornando cada vez mais, foco de debate, pesquisa e até críticas de religiosos que não coadunam com a idéia da imortalidade da alma, um dos postulados espíritas.

No último Congresso Espírita Mundial, realizado em Paris, há poucos anos, a espiritualidade superior foi categórica ao afirmar que uma nova fase no Movimento Espírita estava sendo iniciada. Para entendermos, um pouco da estratégia dos espíritos da Codificação, é preciso recordar que, ao seu tempo, Allan Kardec utilizara todos os recursos de que dispunha a fim de consolidar os ensinamentos ditados pelos espíritos e, acima de tudo, de divulgá-los. Desta forma, surgiram as cinco obras básicas e a Revista Espírita.

Atualmente, é possível perceber toda a sistemática do trabalhado empreendido por Kardec, nos idos de 1857 a 1890, lendo a coleção da Revista Espírita e a de Viagens de Kardec. Por longos anos, o professor Hippolyte Léon Denizard Rivail (nome de batismo de Allan Kardec), viajou por conta própria, participando de sessões espiritistas, reunindo informações, materiais e, acima de tudo, divulgado a notícia do nascimento de uma terceira revelação, em meados do século 19.

Pois bem, já que Allan Kardec foi inteligente o suficiente para usar os livros e a imprensa pujante da época, no caso da publicação da Revista Espírita é, no mínimo, de se esperar de nós outros, que tenhamos a mesma iniciativa.

Daí, então, vem a explicação para se utilizar a mídia, as novelas, os filmes. Dar publicidade aos postulados espíritas é uma obrigação de todo àquele que se autodenomina “espírita”, quer seja pelas atitudes, quer seja pelos canais midiáticos disponíveis nos tempos atuais.

Sempre que um autor, especialmente os da Rede Globo, escreve novelas, minisséries e até programas de TV com essa temática, existe aí dois interesses comuns: o primeiro: o da própria emissora, que percebeu que esse tipo de assunto dá ibope, o que reflete diretamente na arrecadação da empresa, visto que os patrocinadores exigem que suas marcas sejam vistas pelo maior número possível de telespectadores; o segundo: o da espiritualidade, que, literalmente, se aproveita da intenção econômica para chegar até os lares mundiais, levando as sementes da existência de espíritos, de inimigos e amigos do plano espiritual, de reencarnação... da sobrevivência do espírito à morte do corpo.

Noutro dia, presenciei uma crítica de um trabalhador espírita que dizia mais ou menos assim: “não sei por que a Globo trata esse tema de uma maneira tão equivocada. A FEB tinha que fazer alguma coisa”. O companheiro se referia à novela Alma Gêmea, que contou a história de uma reencarnação compulsória e de um encontro entre “almas gêmeas”.

Ora, é necessário entender que a Federação Espírita Brasileira (FEB) não tem poder de fiscalização sobre o conteúdo veiculado pelas emissoras. Se a FEB não pode exigir determinados comportamentos das casas federadas ou das federativas estaduais, pelo simples fato de não haver nenhum tipo de subordinação entre as instituições, quem dirá determinar o que entra ou não numa novela!

Não nos cabe questionar isso ou aquilo nas novelas, filmes ou qualquer outro tipo de divulgação da Doutrina Espírita via mídia. Não cabe mesmo! É necessário perceber que, mesmo levando a mensagem de almas gêmeas, revelações mirabolantes ou outro aspecto que destoa dos ensinos dos Espíritos Superiores, a semente de que existe mesmo vida, depois da morte do corpo físico - o que trocando em miúdos quer dizer, que a alma sobrevive à morte - está sendo plantada.

Cabe, contudo, a nós espíritas, estudar as obras básicas, fazer desses cinco livros, as nossas obras de cabeceira, afim de que, quando o grande público telespectador chegar até a casa espírita onde militamos, possamos informar melhor e desfazer os equívocos plantados pela mídia que, aliás, não tem obrigação de dominar os postulados doutrinários do Espiritismo.

É preciso compreender, ainda, outra coisa: infelizmente, o Brasil é um país cujo índice de leitura é muito baixo. Diante disso, quem se julga apto a dizer que uma turma de estudos de uma das obras básicas, por exemplo, começa com um número “x” e termina com esse mesmo número? Pois é, estudar é chato, para a maioria. Entretanto, quando aquilo que estudamos nos é apresentado espontaneamente pela televisão, por meio de um filme ou novela (de forma prática e gratuita) a apreensão dessa verdade é mais eficiente.

A espiritualidade vem fazendo um esforço que estamos longe de imaginar com nossa limitada capacidade de criação, para expandir os conceitos cristãos da fé raciocinada, sem, todavia, agredir àqueles que ainda não compreendem ou não querem compreender certos pensamentos e idéias. Caberá a todo espírita, o estudo e o amor por aqueles que já estão no Movimento Espírita e por aqueles, sobretudo, que se preparam para assumir um assento nos salões de reuniões públicas, atendimento espiritual ou estudo.

Espíritas, amai-vos e instrui-vos! (Espírito de Verdade).

 
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