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Ana Guimarães falará sobre Mediunidade em Paraíso

 

A expositora espírita Ana Jaicy Rodrigues Guimarães realizará entre os dias 14 e 15 de junho, no Centro Espírita Allan Kardec, em Paraíso, um seminário, cujo tema é Mediunidade.

O evento é uma realização do Centro Espírita, em parceria com a Federação Espírita do Estado do Tocantins. O seminário iniciar-se-á no dia 14, sábado, às 8h da manhã terminará no dia 15, domingo, às 12h.

Os interessados devem fazer suas inscrições, que custam R$ 10,00 (dez reais), até dia 13. Os organizadores não se responsabilizarão por alimentação e nem por hospedagem.
A conferencista carioca, Ana Guimarães, como é mais conhecida no meio espírita, é considerada um dos talentos da Tribuna Espírita, com mais de três décadas de exposições ininterruptas por todo o Brasil e por vários outros países.

Ana Guimarães concedeu, no ano 2000, uma entrevista ao periódico Folha Espírita, do estado de São Paulo, da qual, alguns trechos transcreveremos abaixo:

FE - Ana Jaicy, faça-nos a sua apresentação.

Ana - "Nasci na Chapada dos Guimarães, passei por Campo Grande-MS, e no ano de 1958 mudei-me para Araçatuba, na noroeste do Estado de São Paulo. Durante a XVI COMBESP, em Anápolis-GO, conheci Geraldo Rodrigues Guimarães, que é expositor da FEB, com quem me casei em 1966. No mesmo ano, nos mudamos para o Rio, onde tivemos quatro filhos: Anete - que é expositora e tem amplo trabalho no movimento espírita -, Marcelo, Wallace e Paulo, o caçula. Já temos quatro netos e ora caminhamos para o quinto. No Rio estamos vinculados ao Grupo Espírita "Caminho da Esperança" que no próximo mês de dezembro completa dezenove anos."

FE - Como você se iniciou no Espiritismo?

Ana - "Tive o primeiro contato com o Espiritismo ainda em Campo Grande, por causa de problemas mediúnicos que começaram a ocorrer comigo, e a minha família ignorava totalmente o que fosse. Mamãe me levou muitas vezes para tratamento médico, pedia socorro de cá e de lá, e alguns fenômenos que aconteciam não eram compreendidos. Um dia, alguém disse a ela que procurasse um companheiro que lidava com esse "negócio de espíritas", que era a forma como eles costumavam dizer. E mamãe foi. Ele nos atendeu com muito carinho e disse a ela que estava se defrontando com fenômenos mediúnicos e que seria importante que freqüentássemos o Centro Espírita. Para mim, aquilo tudo era muito cansativo e até desagradável, considerando que eu não passava de uma adolescente. Freqüentei durante muito tempo as reuniões, embora não tivesse consciência plena do que ocorria na Casa Espírita. Não posso dizer que tenha me tornado espírita naquela época, em verdade, vim conhecer o Espiritismo em Araçatuba, quando, convidada por uma colega, fui pela primeira vez à Juventude Espírita, que, naquela época, se reunia na Aliança Espírita "Varas da Videira". Lá, comecei a conhecer melhor o Espiritismo, através das lições do "Evangelho Segundo o Espiritismo" e do "Livro dos Espíritos" e tinha a sensação de que aquelas informações não eram estranhas para mim e que, de alguma forma, as conhecia."

FE - Você se lembra da estréia na tribuna espírita?

Ana - "Logo no primeiro mês de participação, fui convidada para fazer a exposição do Evangelho, e foi um desastre. Fiquei completamente muda e consegui dizer duas palavras. O presidente da Juventude, Dr. Orlando Ayrton de Toledo, pediu-me que insistisse, e, embora com muitas dificuldades, comecei a falar. No início, eu declamava muito, tinha facilidade para tal tarefa, mas as exposições não me eram nada fáceis. Fui encontrando o caminho para deslanchar nos estudos do movimento espírita juvenil de Araçatuba, excelente naquela década de sessenta.
À época, tínhamos companheiros que eram esteios no movimento. Como exemplo, cito o Sr. Brasil Nogueira, que foi quem me incentivou bastante. Ele era uma pessoa muito rígida; lembro-me que, para começar a falar no Abrigo Ismael, me fez uma sabatina terrível, pressionando-me de todas as formas para saber o que eu conhecia de Espiritismo. E olha que eu precisava falar apenas cinco minutos para poder participar de um concurso de oratória na COMENOESP, na cidade de Lins, ocasião em que gentis companheiros me abriram as portas para a pregação, que, a partir dali, alcançou toda a Noroeste.
Começamos por Araçatuba, porém, a nossa primeira palestra oficial, a convite, foi em Guararapes, quando ocorreu o nosso "batismo".

FE - E, a partir de então, não mais parou...

Ana - "Falamos por várias cidades da região noroeste, até que, em 1966, me casei e, quatro meses depois, me transladei para o Rio de Janeiro, quando tivemos ampliado nosso campo de pregação, que em nenhum momento ficou paralisado. Mesmo quando meus filhos começaram a nascer, buscava harmonizar a tarefa de pregação com o atendimento aos filhos. Nunca tiramos férias, sob nenhum pretexto; então, podemos dizer que, desde quando iniciamos as pregações e até a data de hoje, nunca paramos. Percorremos o Brasil todo, e há questão de nove anos, agora adentramos no décimo ano, fomos convidada por um casal de companheiros - Fernando e Yeda Hungria, de Niterói-RJ - que achavam que deveríamos ir aos Estados Unidos para levar a mensagem. Então, eles patrocinaram a nossa ida, porque nunca tivemos condições financeiras para fazer viagem nenhuma, nem a Nova Iguaçu, quanto mais aos Estados Unidos (risos). E eles nos levaram e nos apresentaram aos grupos. No ano seguinte o casal tornou a nos levar e, do terceiro ano em diante, passamos a ser convidada diretamente pelos companheiros de lá. Eles nos enviam as passagens e organizam o roteiro. Há quatro anos, começamos a ir ao Canadá, aproveitando a viagem aos Estados Unidos. Visitamos a Itália, Espanha e Portugal, sendo que neste último país realizamos a maior "tournée", pregando em oito cidades. Na Índia, estivemos por duas vezes, não para atender a convites para exposição, mas sim com o desejo de realmente conhecer o movimento de educação e de valores humanos, com o Sai Baba. Mas parece que o servidor de Jesus, onde quer que ele chegue, não tem chances de ficar parado. Então, durante os trinta dias que estivemos lá, nas primeira e segunda vezes, falamos todas as noites para os companheiros. Reuníamos grupos com média de 15, 20, 30 pessoas e nós fazíamos exposições espíritas lá no Ashram Sai Baba."

FE - Para fazer suas palestras você leva um tema definido ou ele decorre das necessidades do ambiente e da inspiração dos espíritos?

Ana - "Às vezes, penso em determinado tema e, no local, ele sofre mudanças; noutras, venho sem tema nenhum na cabeça, e ele se define no local. Aliás, gostaria de contar uma coisa interessante. A primeira vez que falamos lá na Mansão do Caminho, no Centro Espírita "Caminho da Redenção", dirigido por Divaldo, foi um sufoco tremendo, com ele ali sentado ao nosso lado. O fato é que, quando nos levantamos para falar, ele viu chegar Dona Benedita Fernandes, que foi a pessoa que nos inspirou na palestra. Então, Divaldo perguntou a Dona Benedita: "Mas a senhora por aqui, por que?". Divaldo sabia que ela militara no movimento desta região. Então, dona Benedita lhe disse: "Mas a nossa Jaicy pertence àquela região e a acompanhamos onde quer que ela vá". Esta foi a primeira vez que recebi a notícia de que Dona Benedita me acompanhava, no ano de 1969, quando estava esperando meu terceiro filho. Depois, em Vitória- ES, falávamos no Centro Espírita dirigido por Júlio César Ribeiro, que estava psicografando. Ele nos disse: "Aninha, estava lhe inspirando um espírito assim, assim, e começou a descrever dona Benedita Fernandes, que, com este nome, a ele se identificara e se dizia da região noroeste do Estado de São Paulo. Explicou a ele, Dona Benedita, que ela nos acompanha e inspira nas palestras que proferimos porque ainda continuamos vinculada àquela região. Isto nos dá uma alegria muito grande; já tivemos oportunidade de, em vários locais onde falamos, inclusive nos Estados Unidos, sermos informada por médiuns videntes que dona Benedita estava participando de nossas tarefas."

FE - Você já passou por alguma experiência desagradável por falta de se preparar?

Ana - "Tivemos oportunidade de perceber isso ainda aqui nesta região noroeste. Quando começamos a falar, por causa da fluência e da facilidade de expressão, os companheiros se entusiasmavam muito e nos acompanhavam por onde fosse. Convidada a falar pela primeira vez em Marilia, cidade que só voltaria a visitar vinte anos depois, tive a primeira visão, sensação e experiência de que precisava estudar. Estava acostumada à inspiração, eu me levantava e tudo saía, tudo fluía naturalmente. Em Marília, havia muita gente naquele Domingo, às quatro da tarde. Levantei-me e comecei a falar, levada pela inspiração a que estava acostumada e, de repente, não tinha mais o que dizer. Olhei no relógio e vi que tinham se passado apenas cinco minutos. Minha garganta começou a secar e fiquei agoniada, agoniada, passei a repetir, olhei no relógio, dez minutos. Com quinze minutos, me calei. Voltei para casa e disse para mim mesma: "Nunca mais!". E paramos de falar. Deixei tudo, e já fazia um mês que não ia à Juventude. Minha mãe, que não era muito espírita, como ocorre até hoje, mas é uma pessoa muito sábia, me chamou atenção, dizendo: "Covardia, hein, minha filha!. "A gente receber as coisas prontas é bom , é muito fácil. Difícil é fazer, e você está demonstrando que não é capaz de fazer !". Me ergui decidida e sentenciei: "Eu faço! ". E, a partir de então, comecei a me preparar, não importa que os espíritos troquem o assunto, pois, se não tiver inspiração alguma, minha parte faço. Temos estudado regularmente o "Livro dos Espíritos", o "Evangelho" e todas as outras obras subsidiárias."

FE - E os elogios, como ficam?

Ana - "A esse respeito, tive uma experiência, ou melhor, uma grande lição com o professor Eliseu Rigonatti, que, hoje na espiritualidade sabe ser verdadeira. Nós tínhamos sido convidada para participar da Semana Espírita de São José do Rio Preto. E, naquela época, não havia muitas vozes femininas falando. Tinha a Terezinha de Oliveira, Maria Eni Rossetini, e nós estávamos começando. Então, naquela semana, eram seis vozes masculinas e a minha. Como ainda não havia ocorrido o fenômeno de Marília, os elogios costumeiros faziam-me empolgada, entusiasmada, sentia-me no auge. Fiz a palestra, realmente, com muita inspiração. O prof. Eliseu Rigonatti, que havia escrito o livro sobre o orador espírita, estava presente, e eu esperava que ele viesse a dizer qualquer coisa para mim. As pessoas me envolveram, me elogiaram muito, mas o professor ficou afastado, conversando com algumas pessoas. Como notei que ele não vinha, fui ao encontro dele, que se encontrava com o Rodrigues Ferreira, o Farias, e outros. Me aproximei e disse-lhe: "Professor Eliseu, eu gostaria de ouvir a opinião do senhor a respeito da minha exposição". Ele estava encostado à parede, com os braços cruzados, ficou me olhando na mesma posição e, logo depois, disse-me: "Você quer mais um elogio ou quer mesmo a minha opinião pessoal?". Levei um choque com aquela resposta, mas insisti: "Não, eu gostaria de ter a opinião do senhor, realmente, a respeito da minha exposição". Ele me disse simplesmente isso: "Faça esta pergunta para mim daqui a dez anos". Eu perdi a direção, o Rodrigues ficou aborrecido, o Farias também. E levei dez anos para entender isso. Exatamente dez anos depois, eu já estava morando no Rio e fui convidada para falar em Rio Preto. E, quando me levantei para falar, lembrei-me do professor Eliseu Rigonati e comecei a discorrer exatamente sobre aquilo: "...Há dez anos, aconteceu isso, e tenho certeza de que, se o professor aqui estivesse e eu lhe fosse fazer a mesma pergunta, ele me daria a mesma resposta. E, hoje, entendo o porquê. Um corredor só vence uma corrida depois que atravessa a linha de chegada, e o servidor espírita só é vitorioso depois que ele desencarna, após saber se realmente fez ou não fez. Porque, enquanto eu estiver encarnada, corro o risco de tombar. E os dez anos que ele me concedeu foram muito curtos, ele me daria mais dez anos, depois mais dez anos, e, no dia em que eu estivesse desencarnada e lhe perguntasse: "E agora, professor?." Ele me responderia: "Agora, você mesma tire suas conclusões". Resposta semelhante deu Chico Xavier, quando, numa entrevista, lhe perguntaram: "Chico, quando é que a gente sabe se já venceu todas as etapas, se já evoluiu? E ele assim se expressou: "Quando não reencarnar mais, porque enquanto estiver reencarnando é porque está precisando trabalhar".

FE - Uma palavra às mulheres.

Ana - "No mundo inteiro, a mulher tem se destacado de forma generalizada. Ultimamente, fizeram um levantamento e descobriram que nas universidades o número de pessoas do sexo feminino é bem superior ao do sexo masculino. Então, as mulheres estão ocupando um espaço maior na sociedade em todos os sentidos, enfim, em todos os ramos de atividade a mulher está participando. Acho isso uma coisa muito boa, porque se o "Livro dos Espíritos" nos diz que o espírito não tem sexo, existe, naturalmente, predisposição para determinadas atividades. Então, é natural que se vá mesclando um pouco da ternura feminina com a força masculina em todos os segmentos da sociedade e isto se torna uma coisa boa e também necessária. Se o homem já está participando das atividades domésticas, trocando fraldas, lavando louças, ajudando a arrumar a casa, cuidando dos bebês, então, porque a mulher não poderia colaborar com ele?. Em minha opinião pessoal, ainda acho que os deveres mais importantes da mulher sejam no lar, onde ela faz uma falta muito grande. É extremamente importante a sua presença na educação dos filhos, no acompanhamento de seus passos, sobretudo quando começam a penetrar na sociedade, os olhos da mãe representam uma proteção para o filho. Mas, se ela escolhe outras atividades, respeito."

 

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