Foi com
muita maestria que a “Tia Bel”, como prefere ser chamada
a trabalhadora do Departamento de Infância e Juventude da Federação
Espírita do Estado de Goiás, Maria Isabel Paulino, revelou
a pergunta que todo espírita, sobretudo os evangelizadores,
devem fazer diante de uma criança: “quem será
que foi você, pra mim, em outra encarnação? A
sugestão de questionamento deixou muitas pessoas inquietas,
durante a abertura do Encontro Regional de Evangelizadores, realizado
no centro espírita Camille Flammarion, em Araguaína,
na noite do dia 2 de novembro.
“É
preciso amar! Os espíritas devem se inflamar de amor... com
isso, sairemos do patamar de ‘parentela’ e passaremos
ao nível de família”, enfatizou Tia Bel, durante
a primeira parte de sua palestra. Após concluir suas exposições,
a trabalhadora goiana abriu uma sessão de perguntas, onde,
respondendo aos questionamentos da platéia participativa, disse
que o evangelizador não deve ser aquele que apenas possui boa
vontade. “Também são necessárias a técnica
e muito amor”, frisou Tia Bel, que é psicóloga
especializada no atendimento de crianças e adolescentes.
A presidente
da Feetins, Leila Ramos, chamou atenção ao fato de que,
em muitas casas espíritas do Estado, o foco dos trabalhos não
é a evangelização, mas a mediunidade. “Nas
reuniões mediúnicas, os espíritos recebem preparo
para reencarnar e o que acontece quando eles reencarnam, se o processo
de elucidação das almas não tem continuidade
com a evangelização?”, interrogou a presidente.
O evento
que segue até o dia 4, é uma realização
da Assessoria Regional Norte da Federação Espírita
do Estado do Tocantins, como o apoio maciço das casas espíritas
federadas de Araguaína.
Os
pais
Sobre
o papel dos pais, no processo de evangelização, Tia
Bel foi categórica: “Os pais não podem achar que
evangelizador é babá. O processo de evangelização
deve ter continuidade em casa. Do contrário, os pais podem
ser cúmplices de um difícil processo obsessivo”,
enfatizou.
A palestrante
goiana reforçou que a família tem que participar do
processo de evangelização, pois o tema trabalhado pelos
evangelizadores pode se fragmentar e se perder em tempo bem curto,
comentou.
Outro
ponto que Tia Bel fez questão de frisar é que os pais
devem participar das atividades do centro espírita. “É
preciso mostrar aos filhos que eles estão inseridos num contexto.
Os pais não podem simplesmente deixar os filhos no centro e
só voltar para busca-los”,
Os
evangelizadores
Segundo
a psicóloga, é comum ouvir dos evangelizadores que existem
crianças difíceis de se trabalhar. Para Tia Bel, que
sempre tem um exemplo pra contar, haja vista seu trabalho de mais
de 20 anos na evangelização, essas crianças são
um presente. “Nós podemos fazer visitas a essas crianças,
conversar com os pais... fazer um trabalho individual, fazer vibrações.
Podemos até levar água fluidificada pra dentro da sala.
Temos que fazer de tudo. Nós, os evangelizadores, somos muito
devedores, não podemos permitir que uma criança se perca!”,
orientou, dizendo que um bom caminho é o de mostrar à
criança que ela é especial, que ela é valorizada
e que é importante para o evangelizador. “Num processo
de evangelização, os maiores beneficiados são
os próprios evangelizadores, pois falam de amor todos os dias
e água mole em pedra dura tanto bate até que fura”,
comentou descontraída.